sábado, 26 de março de 2011

E como vai a África essa semana?...




O contexto mundial atual, globalizado e multilateral, vem promovendo uma série de eventos de caráter sócio-político, que desperta a atenção de autoridades e instituições representativas mundiais, jornais e do público de uma forma geral.
O mundo assistiu ansioso aos episódios que levaram à derrubada dos governos ditatoriais da Tunísia e do Egito. Como consequência, talvez não direta, mas com forte poder motivacional, dos movimentos populares de seus vizinhos, agora a Líbia enfrenta uma crise política na qual o povo se levanta para derrubar uma ditadura, que já dura quatro décadas, liderada por Muammar Gaddafi.
O movimento, desde a aprovaçao da resolução 1947, que exige cessar fogo imediato das tropas de Gaddafi, se transformou em uma guerra e os erros e quase-acertos das tropas de coalisão vêm chamando a atenção do mundo.
Essa atenção, no entanto, precisa ser dividida com outros países africanos que enfrentam diariamente problemas sócio-políticos internos, mas que têm consequências globais em muitos áreas, sobretudo direitos humanos.
Um breve passeio pelos jornais africanos, em especial o Sahara Reporters, é o bastante para mostrar o quão conturbados são países como a Nigéria e a Costa do Marfin. Vejamos:

Nigéria: Violência política tem sido uma das principais características das eleições nigerianas. E campanha para as votações do mês que vem não estão sendo diferentes. Só para citar alguns exemplos, a polícia matou pelo manos seis nigerianos no último comício para o candidato a presidente Muhammad Buhari do CPC (Congress for Progressive Change). A segurança oficial utilizou munição real no evento realizado em Jos, sob a justificativa de que pretendia evitar um tumulto mortal similar ao desastre ocorrido em 12 de fevereiro em Pourt Harcourt, onde mais de vinte pessoas morreram. No entanto, os partidários de Buhari acreditam que o uso da força teve motivação política. No estado litorâneo de Akwa Ibom, em 23 de março, foram registrados casos de violência relacionada às eleições entre representantes do Partido Democrático do Povo (PDP), atualmente no poder, e partidários da oposição, deixando um saldo de pelo menos doze mortos e danos consideráveis à propriedades. A mídia ocidental parece ignorar a crescente violência. Porém, a matança nessas eleições da Nigéria se compara aos conflitos da Costa do Marfim e da Líbia. Já está mais do que na hora de virarmos nossa atenção ao que acontece na Nigéria.

Costa do Marfim: Há um sinal desanimador de aumento do conflito na Costa do Marfim, além de temores de instabilidade subsequente na região. A Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim reporta que Laurent Gbabgo adquiriu não apenas um helicóptero de ataque MI-24, mas também lançadores de foguetes BM-21. O número de mortos e pessoas expulsas do país (IDPs) continua a crescer: foram confirmadas 462 mortes desde dezembro de 2010, e relatórios recentes de funcionários da ONU no local sugere que o conflito criou quase um milhão de IDPs. A violência no país também não opera no vácuo. António Guterrea, o Embaixador das Nações Unidas para Refugiados, alerta que o conflito pode afetar o processo de paz da vizinha Libéria, que ainda se recupera de suas duas guerras civis.

Textos traduzidos por Rogerio Silva.



Nenhum comentário:

Postar um comentário